Amazônia em Chamas nº 12 – entendendo a relação entre o fogo e desmatamento em 2023

28 de junho de 2024

jun 28, 2024

Ane Alencar, Luis Felipe Martenexen, Jarlene Gomes, Douglas Morton e Paulo Brando

Apesar da redução de 50% no desmatamento na Amazônia, a pior seca em 125 anos aumentou o fogo em outras áreas do bioma, elevando a área queimada total para 10 milhões de hectares, 36% a mais do que em 2022. Dados foram publicados Nota Técnica Amazônia em Chamas nº 12, produzida por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Nasa.

O estudo aponta que, dos 71 municípios considerados prioritários para a para ações ambientais do governo federal, todos localizados no Arco do Desmatamento, 62 viram uma redução na área desmatada, representando 88% de toda a redução no desmatamento em 2023. Além disso, dos 180 municípios amazônicos que conseguiram reduzir sua área queimada no ano passado, 47 eram prioritários e responderam por 68% da redução da área queimada registrada neste grupo. 

Os dados confirmam uma redução do desmatamento e da área queimada na região do Arco, que vai do norte do Acre ao sudeste do Pará, passando pelo norte de Rondônia e sul do Amazonas. Ao todo, são cerca de 50 milhões de hectares de fronteira agrícola onde tipicamente encontram-se os maiores índices de desmatamento da Amazônia.

Apesar disso, a porção norte da floresta passou pelo caminho oposto: a área queimada aumentou em 245 dos municípios, sendo apenas 24 considerados prioritários pelo governo, totalizando um crescimento de 4 milhões de hectares nessa região. A mudança também pode ser percebida nos meses com mais alertas de fogo. Se em 2022 a floresta queimou principalmente nos meses de agosto e setembro, 2023 registrou uma área queimada maior em fevereiro e março, quando o norte da floresta está mais seco.

Baixar (sujeito à disponibilidade)

Download (subject to availability)

ODS 15ODS 13

Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em brasil.un.org/pt-br/sdgs.

Veja também

See also

Produtividade primária líquida e sazonalidade da temperatura e precipitação são indicadoras da riqueza de espécies das libélulas na Amazônia

Produtividade primária líquida e sazonalidade da temperatura e precipitação são indicadoras da riqueza de espécies das libélulas na Amazônia

Várias hipóteses foram propostas para explicar os mecanismos que geram padrões de riqueza de espécies temporais e espaciais. Quatro hipóteses comuns foram testadas (água, energia, heterogeneidade climática e produtividade primária líquida) para avaliar quais...

Amazônia em Pauta 6: Análise da implementação do zoneamento ecológico-econômico (ZEE) sobre o uso e a ocupação do solo na Amazônia brasileira

Amazônia em Pauta 6: Análise da implementação do zoneamento ecológico-econômico (ZEE) sobre o uso e a ocupação do solo na Amazônia brasileira

Esta edição do Amazônia em Pauta traz o resultado de uma análise do IPAM sobre o ZEE no Pará e do Acre. De acordo com a pesquisa, o zoneamento-ecológico e econômico (ZEE) na Amazônia é um instrumento importante para a gestão do território. Contudo, a prática falha em aspectos fundamentais e ele ainda não é usado como instrumento de planejamento.